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Implantação do PPI vai triplicar a produção de alimentos no Amapá

Por: Anne Santos - 08/09/2015 - 14:35
Segundo Waldez Góes,o incentivo a atividade agrícola é uma das principais fontes para superar a crise.
Foto: Sem Autor da Midia
Segundo Waldez Góes,o incentivo a atividade agrícola é uma das principais fontes para superar a crise.

Nos próximos anos mais de cinco mil produtores serão beneficiados com o programa. A estratégia é introduzir tecnologias para mecanizar a atividade agrícola, além do incentivo ao plantio consignado, gerando mais produção emprego e renda.

O Governo do Estado do Amapá anunciou na manhã desta terça-feira, 8, o início do Programa de Produção Integrada (PPI). O evento ocorreu no parque de Exposições da Fazendinha. O programa incentiva a produção de alimentos para desenvolvimento econômico do Amapá por meio da agricultura familiar e comercial. A estimativa é de que nos próximos anos mais de cinco mil produtores sejam beneficiados.

O programa atenderá produtores da agricultura familiar e comercial com financiamento, introdução de tecnologia e assistência técnica. Com os incentivos, a produção de alimentos será triplicada. Atualmente 17 mil hectares são utilizados para a atividade, a expectativa é de que para 2016 o número aumente para 40 mil hectares por meio do plantio consignado, que consiste na utilização de sistemas como o bragantino, plantio direto, sistemas agroflorestais e de integração da lavoura, agropecuária e floresta.

Esses sistemas reduzem os impactos ambientais, pois utilizam a mesma área para plantar simultaneamente diversos tipos de arranjos produtivos, evitando as constantes queimadas. O Amapá é o Estado mais preservado do Brasil com 72% dos seus 14,3 milhões de hectares destinados a unidades de conservação e terras indígenas, por isso a importância do aproveitamento das áreas cultivadas através de sistemas agroflorestais.

Para o governador Waldez Góes, o crescimento da atividade agrícola, é uma das principais fontes para superar a crise que atinge o Brasil e reflete diretamente no Amapá. Durante o evento, Góes ressaltou o compromisso com o desenvolvimento do setor econômico que beneficiará a população amapaense e da introdução de tecnologias desenvolvidas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

"Temos como meta aumentar a produção de alimentos no Amapá, com isso reduziremos o custo do produto no Estado. Isso é bom para o produtor, consumidor e para a economia do Amapá", afirmou Waldez.

A agricultora Ceci Rodrigues saiu da comunidade de Canaã, no município de Porto Grande, para acompanhar o lançamento do programa. Em Canaã, Ceci e outros agricultores produzem mandioca, e, participando do PPI, pretendem expandir o cultivo e agregar outras culturas como o milho e a melancia. "Quero participar para aumentar a produção e ter uma renda melhor. Acredito que com o programa vamos conseguir produzir mais alimentos além da mandioca", disse.

Outro benefício do programa é o acompanhamento técnico. Os produtores receberão assistência em todas as etapas do programa. "O agricultor terá o acompanhamento desde a etapa de produção até a comercialização", afirmou o secretário de Estado de Desenvolvimento Rural, Hélio Dantas.

O PPI atenderá mil produtores até o próximo ano, a cada ano, novos beneficiários serão inclusos no programa gerando emprego e renda, além de contribuir para o desenvolvimento econômico do Estado. A expectativa é de que, em 2020, mais de cinco mil pessoas entre agricultor familiar, assentados da reforma agrária, ribeirinhos e produtores tradicionais sejam beneficiados.

O programa será desenvolvido em duas etapas. A primeira é o cultivo consorciado de mandioca – principal cultura produtiva básica devido a economia que apresenta – e outras culturas com feijão, arroz ou milho e frutíferas como a melancia. Na segunda etapa, além do cultivo consorciado, também serão inclusos os florestais como a andiroba e o cedro, e a criação de pequenos e médios animais: peixes, aves, suínos, entre outros, aproveitando o máximo possível a propriedade dos produtores gerando mais produção, emprego, renda e aquecendo a economia amapaense.

Financiamento
Os financiamentos do PPI contarão com recursos do Tesouro do Estado, do Fundo de Financiamento Rural (Frap) e do governo federal via Programa Nacional de Agricultura Familiar (Protaf).

O Frap possui um orçamento na ordem de R$ 21 milhões para ser aplicado no financiamento da agricultura familiar. O fundo é trabalhado em duas linhas: a reembolsável, destinando 40% do valor, e a não reembolsável, que corresponde a 60% do fundo. Com o dinheiro os produtores poderão investir em maquinários para a mecanização da produção.

Produção e Escoamento

Para o desenvolvimento da produção mecanizada, o governo do Estado adquiriu mais de 50 maquinários entre tratores, plantadeiras, carros, roçadeiras, perfuradores e voadeira que auxiliarão o trabalho dos produtores, trocando a atividade manual e de menor rendimento, para triplicar a capacidade de produção.

O governo também trabalha para assegurar o escoamento da produção. Para isso, o GEA está investindo na melhoria das estradas com o plano rodoviário, onde serão investidos R$ 5.013.051,15 que serão aplicados em Macapá, Santana e Tartarugalzinho, para o desenvolvimento rural. A iniciativa foi anunciada no lançamento do Plano de Investimento em Infraestrutura no início deste mês e favorecerá o escoamento de grãos e a produção de alimentos.

Comercialização

Os alimentos produzidos pelos beneficiários serão adquiridos pelo mercado institucional via Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) do GEA, que adquire os produtos certificando a qualidade e distribui gratuitamente para famílias em desproteção social, assegurando a alimentação saudável e adequada para essas pessoas.

A produção também será adquirida pelos programas federais e pelas escolas para a merenda escolar. Durante o lançamento do PPI, o presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Astrúb Oliveira, informou que devido ao aumento na produção do Estado, a companhia disponibilizará mais recursos para a aquisição de alimentos. "Estamos com R$11 milhões disponíveis e até o fim do ano serão R$ 17 milhões para adquirir a produção que será gerada com o PPI".

Os produtos poderão ser comercializados ainda no mercado local como feiras e na própria comunidade. O governo está trabalhando na implantação do mercado do produtor, que disponibilizará esses alimentos para venda no atacado.

 


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